Conheça mais sobre o Transtorno de Processamento Sensorial

18 de fev de 2019

O Transtorno de Processamento Sensorial (TPS) é uma condição em que o cérebro e o sistema nervoso têm dificuldade em processar estímulos do ambiente e os sentidos. Por muitas vezes, o TPS foi associado ao autismo, mas foi descoberto que é um distúrbio distinto que pode ou não acometer pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Pesquisas recentes mostram que há um elevado grupo de pessoas que não são autistas, mas que apresentam TPS. A causa exata do TPS não foi identificada, mas pesquisadores acreditam que o Transtorno tenha um forte componente genético.

É uma condição neurofisiológica na qual a entrada sensorial (do ambiente ou do próprio corpo) é mal detectada ou mal interpretada. Sendo assim, uma criança com TPS sente dificuldade de processar o calor ou o frio, o cansaço, a fome, as luzes e os sons e atividades simples podem ser desafiadoras.

Há casos de hipo e hipersensibilidade. Quando há hipossensibilidade, a criança precisa de bastante excitação ou esforço para sentir o estímulo. Por isso, é comum que ela seja bastante agitada, faça muito movimento ou bagunça, morda objetos, tenha pouca resposta à dor, goste de muito barulho e cheire tudo o que encontra.

Já a hipersensibilidade, é quando a criança percebe os estímulos com mais facilidade. Em alguns casos, as luzes e as cores se tornam brilhantes demais, os sons ficam bem intensos, os odores se tornam muito fortes e as sensações táteis são interpretadas de modo extremamente profundo. Essas pessoas sofrem com essa sensibilidade intensa e que atrapalha bastante a rotina. Assim, podem ser mais seletivos com comida, não gostar de barulho, se sentirem mal ao serem tocado, não gostam de se sujar, reclamam da luz e cheiros, além de serem mais sensível à dor. Veja alguns outros sintomas.

– Intolerância a algumas roupas ou texturas: é comum que crianças fiquem irritadas com a sensação que as roupas causam em seus corpos. Em alguns casos, é preciso escolher vestimentas sem costura, retirar as etiquetas e evitar tecidos que causem desconfortos.

– Intolerância a ruídos: no caso dos sons, a pessoa com TSP pode sofrer até mesmo com poucos estímulos como latidos de cachorros e sentir angústia e ansiedade. Também perdem a concentração devido aos ruídos.

– Alimentos: algumas pessoas podem ter aversão a alguns alimentos devido a sua textura ou cores.

– Dificuldade em usar as habilidades motoras finas:  sentem dificuldade de usar lápis de cera ou canetas ou de abotoar a roupa.

– Dificuldade com mudanças: pessoas com o Transtorno podem ter problemas para passar de uma atividade para outra, mudar de ambiente ou moradia. Essas mudanças causam mal estar.

 

Diagnóstico

Para descobrir se a criança possui TPS, é preciso observar os comportamentos e conversar com os pais sobre as dificuldades e medos encontrados. É importante relatar o que criança gosta, rejeita, como busca o estímulo, se fica agitada ou calma, por exemplo. Averigua-se se a pessoa tem sensibilidade tátil, se sofre ao tocar em objetos, não gosta de colocar o pé na areia, fica mal com algumas roupas, se não gosta de se sujar ou tem dificuldade na hora do banho.

 

Tratamento e convivendo com o Transtorno

Por causa do Transtorno, essas pessoas podem sofrer com problemas emocionais, sociais e até interferir no aprendizado e educação. Alguns sentem dificuldade de se relacionar ou fazer parte de um grupo. Em alguns casos, sofrem de ansiedade, depressão, ficam agressivos ou tendem a ter problemas de comportamento. É importante ressaltar que as crianças e adultos com o TPS são tão inteligentes quanto quaisquer outras pessoas. Seus cérebros são simplesmente conectados de forma diferente e por isso precisam ser ensinados de maneiras adaptadas ao modo como processam as informações. E também precisam de atividades de lazer que atendam às suas próprias necessidades.

A terapia ocupacional costuma ser bastante efetiva para eles, pois se usa uma abordagem de integração sensorial por meio de atividades e brincadeiras. É importante buscar ajuda profissional e ter um diagnóstico precoce para que a criança realize as atividades normais da infância, como brincar com os amigos, curtir a escola, comer e dormir. Em alguns casos, a terapia comportamental pode ser indicada para lidar com os sintomas depressivos ou isolamento da criança.

 

Referências:

www.spdstar.org

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2759332/



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