Como contribuir com o aprendizado de leitura e escrita no autismo

10 de abr de 2019

Saber ler e escrever pode ser bastante difícil para as crianças. Mas, esse aprendizado é fundamental para qualquer pessoa, pois além de ser útil para o dia a dia, é fundamental para autonomia, independência e até autoestima.

No caso de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) elas enfrentam desafios específicos em relação ao processo de aprendizagem. Já falamos que é bastante comum que as crianças com autismo apresentem dificuldades em aprender de formas tradicionais. Isso ocorre simplesmente porque seus cérebros processam as informações de maneira diferente do que o de crianças neurotípicas. E quanto antes a criança for estimulada, mais fácil será sua aprendizagem.

A escrita é um desafio para muitos estudantes autistas porque envolve coordenação, força muscular, planejamento motor, habilidades de linguagem, organização e questões sensoriais.  Por isso, podem apresentar uma caligrafia ilegível, não conseguem segurar o lápis ou a caneta e sentem dificuldade para começar a escrever.

No caso da leitura, algumas crianças com TEA não conseguem prestar atenção ou focar em algo por muito tempo, o que dificulta o aprendizado. E também há a questão dos autistas terem dificuldade em assimilar e memorizar sequências, como longas frases, números ou instruções em várias etapas. Tudo isso se torna um desafio para a compreensão de textos.

Sejam quais forem as características da criança com autismo, há técnicas que podem ajudar no aprendizado, na leitura e escrita. É possível realizar estímulos simples e estabelecer conexões com a rotina da criança para envolvê-la no processo de aprendizado. Quando se trata de ensinar crianças com autismo, a abordagem tradicional pode não funcionar – muitas delas são mais visuais, algumas dependem de sons para aprender, enquanto outras requerem técnicas de aprendizagem multissensoriais.

Uma das situações  mais importantes que você pode fazer para ajudar uma criança autista a ler é promover o interesse na leitura. Cabe aos pais e cuidadores, incentivarem desde cedo as crianças a se interessar por livros e leitura. Sempre que possível leia uma história para a criança com TEA  e pergunte se ela gostou e entendeu o tema proposto.

Apoiar o desenvolvimento de habilidades das pessoas com TEA requer estrutura e paciência, mas o mais importante nesse processo é ter o  reconhecimento de o quanto ela evoluiu. Veja, a seguir, algumas dicas.

– Foque no interesse da criança: é comum que as crianças autistas mostrem interesse por alguma área específica. Por isso, invista em livros temáticos como brinquedos, animais, super-heróis, entre outros.

– Proporcione um bom ambiente de estudo: algumas crianças com TEA podem ser mais sensíveis aos lugares, sons, luz e até imagens. Por isso, as crianças precisam de um local adequado para estudar, sem distrações, onde possam se sentir relaxadas e confortáveis.

– Um passo de cada vez: é importante que a aprendizagem seja mais simples para os alunos no espectro. Por isso, as orientações devem ser diretas e curtas. O aprendizado deve ser realizado em várias etapas simples, sendo assim dê tempo e espaço para que a pessoa com TEA processe cada etapa.

– Estar presente e acompanhar o desempenho escolar: os pais precisam se atentar se os filhos com TEA estão recebendo o melhor apoio dos professores e instituições de ensino. Por isso, precisam ficar de olho na metodologia utilizada, se a criança está integrada com os alunos e se suas limitações e dificuldades estão sendo atendidas. Sempre que possível participe das reuniões e converse com os responsáveis pela educação da criança com TEA. O aprendizado das crianças com TEA depende de profissionais capacitados e que podem ser de diferentes áreas como psicopedagogos, fonoaudiólogos, neuropediatras, professores, entre outros.

– Conhecer as técnicas: é importante saber quais são os métodos utilizados pelas instituições de ensino no processo de aprendizagem. A metodologia fônica, por exemplo, é um método que se mostra bastante eficaz. Consiste em focar no som das letras e não apenas no nome. Por isso, também são trabalhadas a sonorização das letras. Essa técnica costuma funcionar porque a criança passa a assimilar o som de maneira mais eficiente.

Você conhece alguém com TEA que teve dificuldade para aprender a ler e a escrever? Conte a sua história para gente!

Referências:

https://www.time4learning.com/homeschooling/special-needs/autism/writing-strategies.html

https://www.iidc.indiana.edu/pages/Teaching-Tips-for-Children-and-Adults-with-Autism

https://www.autism.org.uk/services/nas-schools/helen-allison/learning/reading%20schemes%20and%20how%20we%20teach%20students%20to%20read.aspx

 



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