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Young Boy Studying At Desk In Bedroom In Evening

O envolvimento e a participação do pai na criação de crianças e jovens com autismo é tão fundamental quanto das mães. Infelizmente, não é isso que acontece em todos os casos. É bastante comum que apenas as mães fiquem responsáveis pelos cuidados das pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) por diferentes razões.

Sabe-se que cuidar de uma criança autista é uma tarefa árdua para alguns pais. E que o amor e o afeto do pai e da mãe afetam igualmente o comportamento da criança, a autoestima, a estabilidade emocional e a saúde mental. A presença da figura paterna beneficia as crianças e ajuda também a desenvolver suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais à medida que essas crianças crescem.

Os pais ficam responsáveis por cuidar, compartilhar momentos de atividades e brincadeiras, assim como têm responsabilidades de garantir que a criança ou jovem com o TEA tenham todos os cuidados e recursos para se desenvolver.

Pesquisadores afirmam que os pais da criança com TEA ao se confrontarem com o diagnóstico podem experimentar um sentimento de perda da criança idealizada e vivenciar um processo de luto do filho “perdido”. Por essa razão, os pais podem encontrar uma dificuldade para estabelecer vínculos afetivos com a criança nos primeiros anos. Alguns pais podem precisar de ajuda psicológica para lidar com a situação e superar essa dificuldade.

Um “pai engajado” é definido como aquele que se comporta de forma responsável com seu filho, é emocionalmente engajado e fisicamente acessível, fornece apoio material para sustentar as necessidades da criança, está envolvido no cuidado das crianças e exerce influência nas decisões de criação dos filhos.

 

Desenvolvimento infantil e a participação dos pais

A relação entre pai e filho pode ser tão importante quanto o relacionamento da criança com a mãe em estágios iniciais de desenvolvimento – o envolvimento do pai está relacionado a resultados positivos em bebês, como melhora no ganho de peso em bebês prematuros e melhores taxas de amamentação. Além disso, mães e pais têm diferentes estilos de brincar e se comunicar com as crianças e desempenham papéis únicos, mas vitais no desenvolvimento infantil. Alguns exemplos:

– Os pais promovem um comportamento mais exploratório e independente por parte de seus filhos pequenos. Eles ajudam nas brincadeiras mais físicas e estimulantes do que a maioria das mães;

– Ao falar com crianças pequenas, as mães simplificam suas palavras e falam no mesmo nível da criança. Os pais falam de outra forma e desafiam a competência linguística da criança.

– Em questão de disciplina, é comum que os pais sejam mais rigorosos e exigentes, o que pode ser mais efetivo nas intervenções terapêuticas.

 

Participação em tratamentos e intervenções terapêuticas

Para que o autista se desenvolva e tenha menos sintomas que impactem a sua vida, algumas intervenções terapêuticas são indicadas. E para ter sucesso, elas englobam tanto a família quanto a escola. Boa parte do tratamento se estende para a própria casa do autista e nesse momento a participação dos pais é fundamental para ter resultados positivos. O afeto e a proximidade dos pais são imprescindíveis para a criança se sentir acolhida e segura.

Por isso, é fundamental que os pais estejam presentes em todos os momentos da vida do filho com o TEA. É importante participar das consultas com pediatras, psicopedagogos e reuniões escolares para apoiar as mães e também entender mais o que acontece com o filho com autismo. Ter um pai por perto ajuda à criança autista a ser mais segura, equilibrada e evoluir com os tratamentos indicados.

 

Referências:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5357286/

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2016000100006

Dra. Fabiele Russo

Neurocientista que estuda o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) há quase 10 anos, Fabiele Russo é Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) com Doutorado no exterior pelo Departamento de Pediatria da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD) e Pós-doutorado pela USP. Possui ampla experiência na área do autismo.